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Seg, 08 de Março de 2010
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Aspectos Da Legitimidade no Conselheiro Deliberativo da S. E. Palmeiras PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ricardo Labbate   
Qui, 18 de Março de 2010 00:08
            Desde que nos tornamos sócios , passamos  a ouvir  e a ver muitas coisas  que parecem por  em xeque a legitimidade do Conselho Deliberativo do Palmeiras . À  parte os relatos que carecem de qualquer comprovação e as fofocas , também  tema de nossa última coluna  , fala-se abertamente que o referido conselho é composto por " feudos", isto é , grupos sociais que constituem  unidades  praticamente " fechadas ", blocos coesos, quase monolíticos , onde  pessoas votam como caminha um  rebanho  e quase sempre de forma automática, isto é , seguindo sempre um mesmo líder e/ou votando sempre contra as mesmas pessoas , não importando muito o mérito do que está sendo votado nem as razões objetivas e passíveis de verificação ,  que pudessem justificar esta ou aquela posição .
 
           Não que tais razões não possam existir ou não existam  , mas quase sempre são apenas um " tempero" inteligente  e um "  verniz intelectual " , para disfarçar algo que lhes é anterior , a saber : vota-se mais por banalidades como parentesco, amizade, companheirismo , interesses comerciais, retribuição de favores , facilidades socias diversas, simpatias e antipatias  gratuitas , afinidades  pessoais  de caráter subjetivo , mera  admiração pessoal  e , não se espante o leitor, até por " inércia" : quando a pessoa, como se diz, faz algo " por fazer" ; no caso ,  votando , " por votar ", algo do gênero " ah....sempre votei com esses caras, vou continuar votando " ou " já votava neles, eles sabem que eu voto neles, então vou votar neles " . Em suma, ausencia de comprometimento para com os sócios , seus eleitores ,  para com o clube e até ausencia de pensamento , com a legitimidade indo para o ralo, naturalmente .
 
         Como mudar ?
 
          Não julgamos que a questão principal esteja na substituição  de alguns  conselheiros por outros , ou seja, não basta realizarmos eleições para mudar isto, uma vez que isto já ocorre religiosamente . Acreditamos que  é o próprio formato das eleições para conselheiro  que é defeituoso em termos de representatividade política .É daí que surgem todos os vícios mencionados . O erro essencial está no fato de  cada sócio  poder votar em  apenas um único candidato a conselheiro .
 
         De fato, o que isto gera ? De início, parte-se do pressuposto implícito  de que cada eleitor necessariamente tem apenas  um único candidato  de sua maior preferencia , como se não fosse possível a alguém ter várias preferencias iguais  em importancia e prioridade ou , o que é mais importante , ao menos ter claro , para si , quais  são  as idéias nas  quais acredita . É por razões  banais como estas ,   que podemos votar na "legenda", em eleições para vereador e deputado .
 
        Em que pese isto já constituir um  tremendo erro  de princípio , temos de considerar o fato de que nosso clube não tem as dimensões de uma cidade , de um estado ou de um país, o que significa que sempre  poderá haver, como tem havido ,  eleitores  que nem podem se dar ao luxo de terem uma " preferencia política maior", pois  estão , desde sempre, comprometidos até o pescoço com algum candidato , reféns eternos de uma situação de " anemia política"  , espécie de  alienados políticos conscientes : quantos  leitores votariam naquele que aqui escreve e não  em seu pai , nem  em seu irmão , nem  naquele conhecido que  arrumou-lhe um bom emprego  , nem naquele velho amigo de Palmeiras  que assinou sua ficha de sócio  ? E como convencer alguém a  não votar   em um candidato com o qual  tem razoável  identificação e simpatia e que , além disso , atendeu a todos os seus pedidos ,  consertando o tapete do vestiário, arrumando o bebedouro da entrada do clube , mudando o horário da aula de futebol do filho  ? Não centenas , mas  milhares de outros exemplos poderiam ser dados , desde um voto dado por  " forte cumplicidade pessoal espiritual e  histórica " até um  " voto relativamente comprado  " ou " comprado em termos " , algo assim : " poxa, esse cara é legal,é simpático ,  eu conheço ele há tanto tempo.... ele tem , eu acho, idéias boas e me ligou pedindo um favor, educadamente ,  e ainda  vai me pagar um  puta jantar. Ah, eu vou votar nele . Vou no Palmeiras só  para votar nele " . Em tempo : mesmo que não da forma clássica e ainda que não assintosamente , é bom lembrar que  o nome disto  , envolvendo ou não dinheiro , é  , e sempre foi , CURRAL ELEITORAL .
 
    Não vamos aqui aprofundar a idéia , mas  o essencial é que , dentro desta configuração eleitoral, os sócios podem estar elegendo pessoas  que jamais seriam eleitas caso os mesmos sócios pudessem  votar em mais nomes.Hoje , candidatos  que teriam  100 ,  200  ou mais  votos , eventualmente  dados , não importando a razão , como segunda ou terceira opção, podem não se eleger  enquanto candidatos com 20 votos se elegem . Certamente alguém dirá : isto é falso pois , mesmo que cada sócio pudesse votar em 3 ou 4 nomes, ninguém teria tantos votos , a diferença não seria tão grande . Também será dito que, como há grupos políticos organizados que se unem para dividir inteligentemente os votos conseguidos ,  a fim de que o maior número possível de candidatos  atinja a" nota de corte" e  entre , sem  atrapalhar uns aos outros , isto não alteraria em nada  a situação : as proporções ficariam mais ou menos iguais .
 
                 E isto, até certa altura , é verdade !   Mas apenas  se confundirmos  causa e efeito , tomando aquela por este : se houvesse a possibilidade de um maior número de votos por sócio , muitos outros candidatos  pótenciais  veriam  chances reais de serem efetivamente  eleitos  e de o serem não só com base em amizades , mas  também com base em argumentos objetivos e racionais  . E começariam a contatar os sócios das mais variadas formas e até de forma autonoma , sem estarem necessariamente vinculados a este ou aquele grupo ( ou feudo , para os mais radicais )  . E os sócios, por sua vez e incluindo também  aqueles que já são reféns , sentiriam-se muito mais  significativos para o futuro do clube, porque livres para expressarem o que pensam . E quanto aos eleitos , estes se sentiriam , inclusive , muito mais obrigados a trabalhar , algo que hoje , pelas razões já expostas , não precisa ocorrer. Realmente, quantos projetos para votação , cada conselheiro eleito  apresentou nos últimos  dez anos ?Temos vergonha de responder , deixando isto registrado para a posteridade . Que o leitor procure a resposta por si !Quanto a  nós, teriamos mais orgulho deste clube ! Traduzindo : pela primeira vez  , teriamos vida política  no Palmeiras e um grau muito maior de legitimidade , o que , com o tempo, naturalmente traria   maior  transparencia  para todos os atos praticados pelo clube.
 
    Com relação aos detalhes envolvidos nesta proposta ( quantos votos por sócio ; se haverá ou não votos de legenda , de " chapa", no caso ; se seria adequado, no caso de um clube,  permitir o voto em  conselheiros de chapas distintas , se haverá  alguma discriminação entre os votos dados  por um mesmo eleitor , etc...), já estamos formatando um texto definitivo a ser enviado a todos . Queremos ouvir as opiniões  . Posteriormente , esperamos contar com o apoio de  muitos para sua protocolação , a fim de que o mesmo possa ser enviado para  votação ,  pelo conselho deliberativo .
 
    É evidente que ninguém ou quase ninguém do Conselho ou já com chances reais para as próximas eleições , gostará desta idéia , pois os riscos inerentes a ela são muitos , embora benéficos para a S. E. Palmeiras . É o tipo de coisa que pode unir , num passe de mágica , situação ( ões) e oposição ( ões) em detrimento , justamente, da S. E. Palmeiras . Porque atinge a espinha dorsal  de toda a estrutura política do clube .  O risco de uma reviravolta geral sem precedentes  , assusta e incomoda muito mais  que tudo , muito mais do que perder eleições . Muitos dirão que o objetivo não declarado é levar o Palmeiras ao caos ou coisa até bem  pior. Mas democracia é isto : quanto mais respeitamos as pessoas, quanto mais legitimidade alcançamos e  quanto mais  a liberdade e  a igualdade  se fazem presentes  ,  maior é a confusão .E quando isto  envolve o  amor  que  sentimos  por nosso clube ?  Novos e diferentes  riscos surgem . Lida-se com o imprevisível . Não poderia ser diferente !    Mas é justamente por isto que  a democracia exige trabalho e responsabilidade . Não basta mudarmos as regras : as pessoas já estabelecidas politicamente , dentro da atual estrutura, teriam de trabalhar para se manterem e muitas certamente se manteriam, com méritos  . Leia-se : teriam de mostrar valor , teriam de comprovar sua  legitimidade ; teriam , enfim, de se mostrar à altura da S.E. Palmeiras , o que sempre seria um empecilho para aventureiros de última hora  . Hoje, simplesmente  não há condições plenas para que isto ocorra , de modo que , talvez , até haja , ironicamente ,  " aventureiros de longa data".
 
           Se o que propomos  é o caos , que seja : caos bem pode ser o nome dado por aqueles que , acima de tudo, apenas querem seu lugar ao sol ; vale dizer, dentro de algum feudo ,  mesmo que pensem que isto possa , de alguma forma ,  ser  compatível com os interesses do clube . Preferimos o " caos "  à morte .  O " feudalismo" , seja sob a forma de  coesos grupos xiitas ou mediante conselheiros  que  " são donos" de  certo número de eleitores , poderá implodir ( mais) o Palmeiras  ao longo do tempo . O mesmo se aplica a atual discussão sobre eleições diretas para presidente , proposta com a qual concordamos  , por não vermos a menor possibilidade  técnica e também  prática , de virmos a eleger um presidente não palmeirense ou anti palmeirense . 
 
          A plena transição do feudalismo para o renascimento e daí para a idade moderna  , foi , não é novidade , muito  demorada e  sofrida . Como sempre ,  um drama histórico sem precedentes  e , talvez o principal , marcado por injustiças e  barbáries inomináveis . Como será esta outra  transição , a  que precisamos efetuar para renascer?
 
Ricardo Labbate
 
Quebra de Braço PDF Imprimir E-mail
Escrito por Alexandre Machado - Formigão   
Ter, 16 de Março de 2010 01:04
Carrego inconscientemente uma responsabilidade que me foi incutida na década de 80, junto com outros tantos companheiros, em defender a todo custo a torcida do Palmeiras.

Para os mais novos explico: antes do surgimento de um pequeno grupo que cresceu sobre a hostilidade dos adversários, era praticamente proibido um torcedor Palmeirense ostentar sua camisa Verde em dias de clássicos contra nossos inimigos, exceção daquela equipe com nome de santo, que a época se tratava de uma torcida exageradamente eletizada e inexistente.

Nosso grupo foi se fortalecendo, ganhando idade e massa física, liderados pelos grandes e inconsequentes Cléo e Marcelo, formando um grupo coeso, onde todos eram verdadeiramente amigos, fazendo com que novos lideres surgissem naturalmente, mudando completamente a história da nossa torcida. Passamos de caça para caçador, temidos por todos, sem exceção, rotulados pela imprensa (parcial) como os mais hostis. Um de nossos lemas era: “ Ou nós encontramos um caminho, ou abrimos um”.

Tenho orgulho compartilhado com todos que participaram desta revolução e de ter feito parte desta mudança radicial, e não admito comparecer em algum jogo do nosso querido Palestra sem vestir nosso manto sagrado. Automaticamente cobro de cada amigo que encontro na arquibancada o porque de não estar utilizando nossa camisa verde ou branca em dias de jogos contra nossos inimigos, pois regressa na minha memória aquele período em que éramos obrigados a colocar literalmente a camisa escondida dentro da calça.

Alteramos as posições contra nossas “facções” opostas, mas infelizmente continuamos a quebra de braço com a diretoria de nosso amado Clube, que sempre nos odiou em todos os sentidos, por incrível que pareça. Desde que me conheço como torcedor organizado ou comum sinto-me como uma parte não reconhecida pelos mandatários do clube, como se nossa presença fosse uma ameaça constante. Parece que não fizemos parte da história, que somos indesejados nas alamedas de nossa casa. Houve épocas em que sócios que ostentavam camisas das torcidas organizadas do Palmeiras eram proibidos de ingressar no clube, camisas estas que exibiam em grande estilo todos os símbolos do nosso querido Alviverde.

Ouço e vejo diariamente nossos inimigos enaltecendo suas torcidas, que também realizam protestos, às vezes até mais exagerados que os nossos, contudo sempre são apoiados pelos dirigentes de seus clubes.

O tempo foi passando e nossas representações externas foram cada vez mais se agigantando, dentro dos estádios com grandiosas festas e até fora deles, com representatividade no mundo do samba, levando direta e indiretamente o nome do Palmeiras para o resto do mundo. E com que nossa diretoria nos presenteia? Indiferença.

São vários os episódios que me levam a pensar desta maneira, fatos que se fossem listados não caberiam nesta coluna.

O que não entendo e busco incansavelmente a resposta é do porque deste posicionamento de apatia de nossas diretorias com a torcida, fato que perdura há aproximadamente três décadas. Nossa Torcida é o maior patrimônio que o Palmeiras possui.

Tenho vasto conhecimento neste assunto e infelizmente posso constatar sem sombras de dúvidas que a relação entre nosso clube e torcedores é a mesma que a de um pai que despreza de forma indolente seu filho.

Só que tudo na vida tem um basta, e os nossos inteligentes torcedores já perceberam este menosprezo advindo de nossos desinteressados diretores.

A maior prova disto está nos resultados pífios dos dois programas criados para angariar sócios torcedores, um fiasco total, pois a adesão ao primeiro programa foi ridícula (idealizada por aventureiros). A segunda (cópia de outros programas) veio rodeada de alardes, cheia de falsas novidades, mascarada com uma série de benefícios (benefícios ocultos para as empresas patrocinadoras), mas que felizmente não conseguiu ludibriar mais do que três mil torcedores, muitos dos quais se sentem enganados pelo clube de seus corações.


Muda Palmeiras, mas muda de verdade.
 


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